Duelo pelo Pix mobiliza classe política e acirra embate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Uma disputa política em torno do Pix passou a mobilizar o cenário eleitoral e acirrar o embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O tema virou alvo de trocas de acusações e é visto por analistas como um trunfo nas estratégias eleitorais de 2026.

A situação tem repercutido desde que o relatório anual de comércio dos Estados Unidos disse que a modalidade de pagamento brasileira gera uma “disputa desleal” às operadoras de cartão de crédito. O diagnóstico foi visto como uma forma de o governo americano marcar posição contra o Pix.

Analistas políticos ouvidos pelo R7 consideram que o debate sobre o Pix pode influenciar a avaliação da sociedade sobre Lula e, por tabela, ter reflexos eleitorais. A chance de elevar a popularidade do presidente depende da forma como o petista explorar a ferramenta.

“Essa reação do governo pode ter efeito eleitoral muito positivo, especialmente pelo mesmo mecanismo visto na defesa do tarifaço. Seria o sentimento da defesa nacional, sentimento de soberania”, analisa o cientista político Rócio Barreto.

Ele também pontua a necessidade de cautela no uso eleitoral, pelo risco de o tom sobrecarregar os feitos do governo. “Existe uma certa limitação, porque o impacto pode ser muito forte e se voltar a temas de inflação e renda. E o excesso de tom ideológico pode afastar eleitores mais moderados”, opina.

O cientista político André César também considera que o uso do Pix pode trazer ganhos eleitorais a Lula, o que condiciona adversários a adotarem tom semelhante, evitando críticas ao sistema financeiro.

“De fato, o governo e o Lula, em especial, podem usar a questão do Pix como um tema de soberania”, avalia. “Quem é contra o Pix no Brasil? Ninguém é contra. É algo muito forte, que está introjetado”, acrescenta.

Os dois analistas consideram que as críticas dos Estados Unidos estão alinhadas a interesses próprios. A avaliação é de que empresas financeiras estrangeiras diminuíram suas operações, com redução de lucros para os EUA, e que não cabe contestação a uma política brasileira.

“É uma infraestrutura doméstica como qualquer sistema público. Não impede atuação de cartões, apenas oferece mais uma modalidade. E as pessoas optam pelo Pix por não pagar nada [a mais] e ter transferências instantâneas, rápidas e mais seguras. O comércio dá desconto em pagamento em Pix exatamente por não pagarem o percentual que as administradoras querem”, pontua Barreto.

Com Portal Correio

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