O problema de Johny Bezerra hoje não é falta de espaço. É falta de direção.
Quem acompanha os bastidores percebe um roteiro repetido: sinaliza para um lado, recua para outro, testa um caminho, volta atrás, observa, calcula… e quando decide, o cenário já mudou. A impressão que fica não é de estratégia sofisticada, mas de alguém tentando jogar xadrez numa mesa onde o resto já está jogando dominó.
Ele parece ainda enxergar a própria força pelo retrovisor da eleição de Campina Grande. Só que eleição não é diploma vitalício. Tamanho político não se cong ela em fotografia antiga. Ele precisa ser reafirmado o tempo inteiro, principalmente quando o jogo sobe de nível e deixa de ser municipal para virar estadual.
Outro detalhe ignorado: ninguém cresce sozinho. O espaço que ele conquistou teve digitais de grupo, de articulação e de contexto. Quando o político começa a acreditar demais na própria narrativa e esquece quem construiu o palco, corre o risco de continuar discursando… para uma plateia que já foi embora.
Hoje, Johny tenta manter todas as portas abertas ao mesmo tempo. Na teoria é confortável. Na prática é perigoso. Porque aliado não confia em quem não escolhe e adversário não respeita quem hesita.
No fim, não parece alguém aguardando o momento certo. Parece alguém que não sabe qual momento esperar.
E na política, quando o próprio protagonista não sabe para onde vai, todo mundo ao redor já entendeu: ele está perdido.
Com Fonte 83
