Superstição sobre gato preto dificulta adoções e reforça alerta contra maus-tratos

Gatos pretos ainda enfrentam preconceito na hora de encontrar um lar e podem ser vítimas de abandono motivado por superstições. Pesquisa realizada com 41 organizações de proteção animal de diferentes regiões do Brasil, revelou que 56% das instituições relatam que esses felinos demoram mais para ser adotados. O levantamento apontou que também 56% das organizações já receberam casos de abandono de gatos pretos associados a superstições.

No Dia da Conscientização pelo Gato Preto, celebrado em 27 de outubro, o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB) alerta para a necessidade de combater crenças sem fundamento que colocam esses animais em situação de vulnerabilidade. A cor da pelagem não determina o comportamento, a personalidade ou a saúde do gato e não pode ser motivo de rejeição, abandono ou violência.

O presidente do CRMV-PB, o médico-veterinário José Cecílio, reforça que a proteção animal deve estar acima de crenças populares. “Todo animal merece cuidado e respeito. Sempre é bom lembrar que a legislação brasileira prevê punições para quem pratica abuso ou maus-tratos contra animais”, disse.

A Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, estabelece, em seu artigo 32, punições para atos de abuso e maus-tratos contra animais. Em 2020, a Lei nº 14.064 alterou essa legislação e aumentou a pena para crimes cometidos contra cães e gatos. Nesses casos, a punição prevista é de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. Quando ocorre a morte do animal, a pena é aumentada de um sexto a um terço.

O CRMV-PB orienta que situações de violência sejam denunciadas às autoridades competentes. A proteção animal também passa pela guarda responsável, que exige alimentação adequada, abrigo, segurança, vacinação e acompanhamento médico-veterinário.

Halloween – Com a proximidade do Halloween, celebrado em 31 de outubro, o Conselho reforça a importância de manter os gatos em ambientes seguros, evitando que circulem livremente pelas ruas e fiquem expostos a acidentes, violência e outros riscos. Segundo a pesquisa , 80% das organizações de proteção animal adotam cuidados extras nos processos de adoção de gatos pretos em períodos considerados sensíveis.

Superstições atravessam séculos – A associação dos gatos pretos à má sorte e à bruxaria tem raízes históricas. Em 1233, o documento religioso Vox in Rama, do papa Gregório IX, descreveu supostos rituais considerados heréticos que incluíam a figura de um gato preto. Ao longo dos séculos, essas crenças foram incorporadas ao imaginário popular e às representações de bruxas e do sobrenatural, especialmente nas narrativas ligadas ao Halloween.

Com Mais PB

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