Discursos contra vacinas impulsionam sarampo nos Estados Unidos e doença pode representar nova ameaça ao Brasil, alerta especialistas

Mudanças recentes no calendário vacinal dos Estados Unidos, impulsionadas por discursos antivacinação do governo Donald Trump, ajudam a explicar por que o país está passando pelo pior surto de sarampo em mais de três décadas. Mais de 4,4 mil casos já foram confirmados este ano, com três mortes. Entre os infectados, 98% não estavam totalmente vacinados.

O aumento da ocorrência em outros países aumenta a pressão sobre o Brasil, que registrou 61 casos da doença este ano, a maioria com origem importada. Como não há transmissão sustentada da doença em território nacional desde 2024, o país permanece certificado como área livre do sarampo, mas a manutenção desse status tem sido desafiadora.

O certificado de área livre do sarampo foi conquistado em 2016 e perdido em 2019, porque houve a reintrodução da doença na região Norte. Ela se espalhou pelo país e teve um surto em São Paulo, com 19 mil casos. Já em 2023, os índices de vacinação da tríplice viral, dentro do calendário básico infantil, foram de 88% na primeira dose e de 66% na segunda. Já em 2024, a cobertura subiu para 96% e 78%, respectivamente. Neste ano, as taxas preliminares são de 95% na primeira dose e 80% na segunda.

De acordo com o diretor do Programa Nacional de Imunizações do Brasil, Eder Gatti, apesar do contexto internacional, o Brasil segura a sua certificação e tenta manter esse cenário, porque o Sarampo é uma doença que mata crianças, causa abortos e complicações obstétricas. Ela tem índice de letalidade muito maior para as populações mais vulneráveis, indígenas e pessoas em situação de pobreza.

Conforme a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o sarampo é uma das doenças com a maior facilidade de transmissão quando encontra alguém suscetível, que não foi adequadamente vacinada.

Com Polêmica Paraíba

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