Professora doa mais de 100 livros de autoras negras para formação de biblioteca temática

No ano em que completa 30 anos de conclusão do curso de Jornalismo, 25 anos de prática docente no ensino superior e também 25 anos como servidora pública da Prefeitura de Campina Grande, a jornalista e professora Carla Borba decidiu celebrar sua trajetória profissional compartilhando parte de um acervo construído ao longo dos anos. Mais de 100 livros de autoras negras de sua biblioteca pessoal estão sendo doados à ARCCID – Associação Rede de Conexões para Cidadania para a formação de uma biblioteca temática.

A ação foi planejada para acontecer durante o Julho das Pretas, período de mobilização e fortalecimento da agenda política, social e cultural das mulheres negras. A escolha do mês dialoga diretamente com a proposta da iniciativa: ampliar a circulação e o acesso à produção literária e intelectual de escritoras e pensadoras negras.

A ARCCID apoia o CLAN – Coletivo de Leitura de Autoras Negras, iniciativa voltada à leitura, ao debate e à valorização da produção de mulheres negras. A biblioteca está em fase de montagem e cadastramento dos livros e deverá ser inaugurada até o final do mês de julho. O novo acervo contribuirá para o fortalecimento das atividades do coletivo e para a ampliação do acesso às obras.

A biblioteca temática está organizada em duas grandes categorias: obras literárias e obras de produção teóricas e pensamento crítico. Em cada uma delas, os títulos estão subdivididos entre autoras nacionais e autoras estrangeiras. A organização evidencia a diversidade da produção de mulheres negras e cria possibilidades de leitura, pesquisa e formação a partir de diferentes gêneros e campos do conhecimento.

O acervo reúne obras de autoras como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Eliana Alves Cruz e Carolina Maria de Jesus, escritoras fundamentais para a literatura negra brasileira; como também títulos de Djamila Ribeiro, Sueli Carneiro, Cida Bento, Carla Akotirene, Nilma Lino Gomes, Bárbara Carine e Flávia Rios.

Entre as autoras estrangeiras estão Maya Angelou, Chimamanda Ngozi Adichie, Toni Morrison, Françoise Ega, Jacqueline Woodson e a moçambicana Paulina Chiziane; além de  bell hooks, Angela Davis, Grada Kilomba e Tricia Hersey. Os livros contribuem para debates sobre raça, gênero, feminismo, colonialismo, educação, cultura e formas de resistência, estabelecendo diálogos entre diferentes tradições do pensamento negro.

Reunidos ao longo da trajetória pessoal, acadêmica e profissional de Carla Borba, os livros fizeram parte de sua formação, de suas pesquisas e de suas práticas de leitura. Agora, poderão circular entre novos leitores, estimular encontros e fomentar discussões sobre literatura, identidade, memória e a produção intelectual de mulheres negras.

“Os livros precisam circular. Durante anos, fui reunindo obras de autoras negras que atravessaram minha formação, minhas pesquisas, a formulação de minhas aulas sobre relações étnico-raciais e também a minha maneira de compreender o mundo. Compartilhar esse acervo, especialmente com uma iniciativa de leitura coletiva, é permitir que essas obras continuem produzindo encontros, perguntas e novas conexões”, afirma Carla Borba.

Mais do que transferir livros de uma biblioteca particular para um acervo coletivo, a iniciativa reafirma a leitura como prática de encontro, formação e construção de cidadania. Ao compartilhar mais de 100 obras reunidas ao longo de sua trajetória, Carla Borba transforma uma celebração profissional em uma ação voltada à circulação do conhecimento e ao fortalecimento da literatura e do pensamento de mulheres negras.

✅Editor Chefe do Portal Notícia Certa PB; @joaobrandaoneto

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