“Caso ela diga não”: especialista aponta crime em vídeos que simulam agressões contra mulheres

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Uma trend que circula no TikTok com a frase “treinando caso ela diga não” e com simulações de agressões a mulheres se espalhou e gerou repercussão nos últimos dias.

A plataforma TikTok, inclusive, removeu parte desses conteúdos que viralizaram na internet e a Polícia Federal abriu uma investigação formal para analisar esses vídeos.

Esses conteúdos, de forma geral, aparecem com simulações de abordagens românticas, na maioria das vezes com um pedido de namoro ou casamento. Em seguida, aparece a frase “treinando caso ela diga não” e, posteriormente, as pessoas que gravam esses vídeos fazem reações agressivas, como socos, movimentos de luta ou golpes de faca.

Criadores desses conteúdos podem ser responsabilizados

De acordo com Leilah Luahnda, os tipos de responsabilizações na esfera jurídica podem acontecer em dois âmbitos diferentes, o criminal e também o cível. Conforme a especialista, a lei brasileira reconhece que violência contra a mulher não se limita à agressão física.

“Quando vídeos ou encenações reproduzem situações de agressão de forma humorística ou banalizada, eles podem contribuir para a naturalização da violência de gênero, o que pode caracterizar, por exemplo, crimes contra a honra, incitação à violência ou até apologia de crime, dependendo do conteúdo e da forma de divulgação”, explicou.

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Outro tipo de possibilidade de responsabilização judicial é enquadrar esses casos como abuso do direito de expressão, ou seja, quando o exercício da liberdade de manifestação ultrapassa os limites da dignidade da pessoa humana, confrome a professora.

Em relação aos vídeos serem simulações, mesmo assim, como apontado, há a avaliação do dano social de conteúdo, o que também pode incidir em responsabilização.

“O Direito analisa não apenas a intenção dos autores, mas também o potencial de dano social do conteúdo. Se a encenação reforça estereótipos violentos, incentiva agressões ou banaliza a violência doméstica, pode haver responsabilização, especialmente quando o conteúdo é amplamente disseminado”, contou.

Com Jornal da Paraíba

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