A saúde pública de Serra Branca, no Cariri da Paraíba, vive um dos seus momentos mais delicados.
Falta de medicamentos básicos, descontinuidade no atendimento e instabilidade administrativa, formam um cenário que tem atingido em cheio quem mais depende do poder público.
O retrato mais cruel dessa realidade vem do relato de uma pessoa, que procurou o helenolima.com sob condição de anonimato para denunciar o sofrimento do pai, portador da doença de Parkinson.
Segundo essa pessoa, o idoso faz uso contínuo de um medicamento essencial para retardar o avanço da enfermidade.
Cada caixa custa cerca de R$ 200, valor inacessível para muitas famílias.
O remédio, que antes era fornecido pela Prefeitura, simplesmente deixou de ser disponibilizado.
“Quando procuramos a secretaria, a resposta é sempre a mesma: ‘não sabemos se vai chegar’”, relata.
Sem o tratamento, a doença avança rapidamente, agravando o quadro clínico e a angústia familiar.
O caso não é isolado. Ele simboliza um problema estrutural que se instalou na rede Municipal de saúde desde o início da atual gestão.
Em pouco mais de 13 meses à frente da Prefeitura, o prefeito Michel Alexandre (União) já promoveu duas trocas no comando da Secretaria Municipal de Saúde, e a terceira mudança está em curso.
A pasta começou sob responsabilidade do médico Dr. Diogo, que permaneceu até agosto do ano passado.
Em seguida, assumiu Neto Lima, que mal se acomodou no cargo e já se prepara para sair.
A iminente nomeação de um novo secretário, segundo apuração do CHUPA CABRA, reforça a percepção de improviso.
O escolhido seria Diego de Zé Pão Doce (DC), vereador licenciado e atual secretário de Desenvolvimento Econômico, uma secretaria frequentemente criticada por funcionar mais como espaço de acomodação política do que como instrumento efetivo de políticas públicas.
O agravante: o futuro titular não possui experiência na área da saúde e sequer reside no município.
Enquanto cargos são redistribuídos e interesses políticos se sobrepõem à técnica, a população amarga a falta de assistência básica.
A sucessão de mudanças fragiliza o planejamento, interrompe ações e inviabiliza qualquer política de médio ou longo prazo.
O resultado é um sistema à deriva, incapaz de garantir o mínimo: remédios, continuidade no atendimento e respeito à dignidade humana.
Em Serra Branca, a sensação que predomina é a de abandono.
Prefeito e vereadores governistas são acusados, nos bastidores e nas ruas, de priorizarem projetos pessoais enquanto a saúde pública se transforma em um verdadeiro caos.
Para quem depende do SUS Municipal para sobreviver, a esperança de melhora no curto prazo parece cada vez mais distante.
Com Heleno Lima
