O ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a Polícia Federal investigue suspeitas de desvios de emendas enviadas a quatro cidades, entre elas Zabelê (PB), onde recursos desapareceram das contas da prefeitura. O despacho, assinado neste domingo (23), aponta que os fatos noticiados “configuram indícios de possíveis crimes” e orienta a PF a adotar as providências cabíveis, seja anexando a apurações já existentes ou abrindo novos inquéritos.
Em Zabelê, município de 2,2 mil habitantes a 317 km de João Pessoa, a prefeitura anunciou em fevereiro do ano passado a construção de um parque com ciclovia, praça de alimentação e espaço para eventos às margens de um lago. A obra seria viabilizada por uma emenda de R$ 3 milhões enviada em julho de 2023 pela então deputada federal Edna Henrique (Republicanos-PB), que não retornou aos contatos da reportagem.
Quando o parque foi prometido à população, porém, o dinheiro já não estava mais disponível. Extratos bancários mostravam saldo de apenas R$ 240, e consulta posterior ao TCE-PB indicou pouco mais de R$ 304,61. A movimentação financeira revelou um padrão semelhante ao de Arari (MA): ao menos 30 transferências, entre R$ 20 mil e R$ 500 mil, foram feitas entre setembro de 2023 e janeiro de 2024 para outras contas da prefeitura, misturando os recursos da emenda a despesas correntes, como salários, serviços e contas de consumo. Na prática, a manobra impediu identificar o destino da verba.
Questionada, a equipe da atual prefeita, Jorsamara Neves (PSD), orientou a reportagem a procurar seu primo e antecessor, Dalyson Neves (PSDB), de quem ela foi vice. Ele também não explicou como os recursos foram usados.
Dois anos após o repasse, não há qualquer sinal do parque prometido em Zabelê.
Casos como o de Zabelê e Arari estão entre ao menos 80 investigações em andamento no STF sobre o uso de emendas parlamentares. Nos últimos meses, operações da PF apontaram indícios de transferências em série, empresas fantasmas e uso de laranjas, em esquemas que especialistas comparam a métodos de lavagem de dinheiro.
Com informações de Vitrine do Cariri
